Seja bem vindo.


Esse é o mundo da garota que fala de si na terceira pessoa. O motivo disso? Bom, ela não sabe ao certo. Talvez por que ela se sinta mais a vontade de falar dos próprios sentimentos como se não fossem dela, talvez ela só ache mais fácil de "se entender" desse jeito... Ou talvez, seja só uma mania mesmo. Ela tem um jeito todo diferente de ver o mundo, mas às vezes, ela é simplismente como todo mundo. Contradições? Ah, sua mente é repleta delas... Afinal, que adolescente não tem? Ela já viveu intensamente, já embarcou em histórias das mais incríveis, subiu em árvores e fez machucados daqueles que saram com um beijo e chocolate. Mas também, já sofreu decepções feias, daquelas que a fizeram quase desistir, mas alguma coisa dizia pra ela "vai, continue, você tem que ir, você ainda não encontrou". E a curiosidade de saber o que ela tinha de encontrar, a fazia dar tempo ao tempo e levantar a cabeça, pra continuar. E um dia, a garota que fala de si em terceira pessoa encontrou o que tanto a fez correr. Ele veio assim aos poucos, querendo não querer. Ela, aspirante à jornalista, aluna do médio. Ele, universitário, quase filósofo. Em comum, decepções, desejo de ser feliz e de confiar, vontade de amar, vontade de ficar junto e não soltar. Numa epifânia, ela percebeu o motivo que a fazia ir em frente, ela percebeu que sempre soube que ele ia chegar, que um dia ela ia conhecer aquele que daria sentido a tudo que já havia acontecido à ela. E esse dia chegou.

"E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz"*



* trecho de Eduardo e Mônica, música de Legião Urbana

diálogo.

- Dois meses amanhã, né?
- É, dois meses...
- Nossos primeiros dois meses, dos próximos 50 anos juntos
- 50? Só?
- Tá, 60.
- Não...
- 70?
- Não...
- Então, da nossa eternidade. Eternidade tá bom pra você?
- Sim, a nossa eternidade.

Prólogo.


A lembrança dói. Meu cérebro tenta descobrir onde fica exatamente a dor, mas logo desiste, porque tudo dói. 
Estou cansada de viver como se já fosse uma pessoa madura. Gostaria de voltar a ser criança - uma garotinha de seis anos que caiu da bicicleta. Gostaria de fazer cara de choro e correr aos berros para a cozinha, onde minha mãe beijaria meu joelho esfolado. Eu pararia de chorar e tomaria leite com chocolate para a dor passar.
Essa é uma das coisas que as pessoas não nos ensinam quando falam de crescer: como lidar com as dores que não passam com um beijo.


Trecho de Soul Love - A noite o céu é perfeito! (Lynda Whaterhouse)

my shine yellow



It doesn't matter what comes over
When you hold me tight
And even when you're far away
I keep following the light of our love
So don't you worry about it

(Mallu Magalhães)